(Foto Ilustrativa)
Erro não foi ter adotado o programa, mas tê-lo
feito fora de época, sem nenhuma projeção
orçamentária, sem nenhuma competência e com
objetivo de fazer política com projeto tão sério
Sérgio Boechat
A proposta do Bilhete Único feita pelo prefeito Antônio Francisco Neto (PMDB) em 2012 até hoje não aconteceu e não se sabe se vai acontecer, como e quando acontecerá. O que abala as finanças de um município, todo mundo sabe disso, é a incompetência gerencial do prefeito e dos seus assessores e secretários, porque Volta Redonda não tem passagem a R$ 1, não tem Bilhete Único, não tem PCCS (Plano de Cargos, Carreira e Salários), não paga o piso salarial profissional para os professores, paga os piores salários da região e, segundo o próprio prefeito, o município está "falido"!
Passagem a R$ 1 é absolutamente viável. Em Campos, foi implantado em 2009 e tem mais de 300 mil pessoas cadastradas. A frota de ônibus já foi renovada e ampliada e o município conta com veículos adaptados às normas de acessibilidade. E o município não faliu por causa disto! Em Paulínia, que já implantou o programa da passagem a R$ 1 também há alguns anos, agora vai implantar a proposta da tarifa zero tão logo a Câmara Municipal aprove o Projeto de Lei nº 31/2013, enviado pelo prefeito e o município tem um orçamento praticamente igual ao de Volta Redonda e também não está falido. O projeto cria a tarifa zero para as famílias com renda abaixo de dois salários mínimos, que estejam devidamente cadastradas. O benefício será concedido por meio da distribuição de um cartão magnético para cada família que limitará o número de viagens em 16 por dia, de segunda a sábado. Nos domingos e feriados a tarifa é gratuita para toda a população.
Programa tem que ser bem estruturado e bem administrado
A proposta da passagem a R$1 é ótima, mas o programa tem que ser bem estruturado e bem administrado para que seja viável, possibilitando transferência de renda e melhores condições de vida para a população carente e subempregada. O que falta em Volta Redonda não é dinheiro, mas vontade política e sensibilidade social. O município não tem nenhuma política social, mas ações isoladas, com fins eleitoreiros. Se o governo cortasse os gastos desnecessários - telefones celulares; RPAs (Recibos de Pagamento a Autônomo) desnecessários; terceirizações mal feitas; despesas com restaurantes e bufês; gasto excessivo com combustíveis; diárias e passagens aéreas para assessores do prefeitos; shows superfaturados, entre outros desperdícios, haveria dinheiro para fazer tudo o que Paulínia faz!
Em Angra dos Reis a passagem a R$ 1 foi implantada em agosto do ano passado, em um ano eleitoral, demagogicamente, sem qualquer critério, simplesmente para tentar ganhar a eleição. O candidato do PMDB e do Governo perdeu a eleição e deixou a bomba na mão da nova prefeita, do PT, que agora terá que sofrer os desgastes de reestruturar o programa, amoldando-o ao orçamento do município. O erro não foi ter adotado o programa, mas tê-lo feito fora de época, sem nenhuma projeção orçamentária, sem nenhuma competência e com o objetivo de fazer política com um projeto tão sério!
Proposta do Bilhete Único do Neto é ridícula
Os erros cometidos em Angra dos Reis não justificam a não adoção do programa em Volta Redonda. O que não pode é demorar tanto tempo para implantar o Bilhete Único e vir com uma proposta tão ridícula, limitando o tempo de utilização em apenas 1 hora e 20 minutos, quando praticamente todos os municípios aplicam o tempo de 2 horas; o que não pode é não exigir, na licitação de novas empresas, ônibus com ar condicionado e não exigir também mais ônibus e com melhor qualidade.
O Governo Neto gasta mais de R$ 3 milhões por mês com RPA e outros tantos com coisas inúteis e supérfluas e tem cacife para bancar um projeto social deste porte, mas não tem compromisso com o social, com a população da periferia e com os subempregados! Prefere investir em cargos comissionados, RPA e circo!